Estilo é um conceito fundamental na maneira como ouvimos e fazemos música, e unidade estilística foi um dos fatores mais decisivos no desenvolvimento do grande tesouro musical do ocidente. Até não muito tempo atrás (ao menos não muito se tivermos em mente o gigantismo de nossa história musical) um viajante que chegasse numa cidade qualquer, e uma vez nela buscasse um pouco de música, iria se deparar com práticas musicais relativamente semelhantes em diferentes locais, desde o teatro até a igreja. Em sua próxima parada seria muito provável que nosso viajante fosse encontrar o mesmo cenário, tendo em vista que a coesão estilística é característica mais proeminente não só de uma cidade, mas de todo um continente durante um dado momento.
Mas o advento da arte moderna mudou de forma profunda a maneira como os artistas passaram a lidar com sua arte, e em música também passamos por essas mudanças, simbolizadas pelos “ismos” que pulularam no século passado: impressionismo, expressionismo, dodecafonismo, neoclassicismo, serialismo, espectralismo, entre muitas outras. Entretanto, nenhuma estética sobressaiu-se a ponto de se firmar como um consenso, e por conta disto, hoje em dia nosso viajante iria se deparar um cenário incrivelmente mais rico e diversificado, onde não apenas ouviria músicas diferentes de um lugar para outro, mas mesmo numa única apresentação.
É justamente esta a proposta deste álbum, que fará do ouvinte um viajante que irá testemunhar o verdadeiro manancial musical de nossa contemporaneidade por meio da obra de jovens compositores brasileiros que trilham seus caminhos pelas novas e desafiadoras sendas da música nova, na qual a pluralidade é, ironicamente, o elemento que une idéias e estéticas tão diversas. Boa viagem!