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A peça foi inspirada pela correspondência mantida entre os poetas Rainer Maria Rilke e Marina Tsvietáieva, no ano de 1926, a qual termina com uma carta póstuma, escrita após a morte de Rilke. Das muitas cartas escritas, foram selecionadas algumas, que inspiraram as cinco pequenas peças. O universo comum à obra dos dois autores – o lirismo, o estranhamento, a metafísica, o tempo alargado – serve de base para a construção da peça.
O quinteto também trabalha com elementos cênicos – os instrumentistas usam lápis em pranchetas, escrevendo com diferentes gestuais –, aludindo a um outro “tempo” na comunicação escrita – mais alargado – reforçando as texturas e contornos particulares de um meio “analógico”. A peça foi composta em memória de Rainer Maria Rilke e Marina Tsvietáieva, e é dedicada a Marina Reis.
Um trompe l’œil que, parecendo não ir a lugar algum, nos conduz a territórios novos, desconhecidos, que, ao final, não poderão jamais reencontrar seus caminhos originais. Tudo muda na mobilidade da repetição.
Traces Fouillis gris pâle presque blanc sur blanc foi escrita entre janeiro e março de 2007 para o concerto do Ensemble Alternance, ocorrido em 07/04/2007, data de sua estréia, no Anfiteatro Richelieu - La Sorbonne, em Paris. Foi mais uma vez executada pelo mesmo grupo em fevereiro de 2008, na Sala Cortot, também em Paris. Sua estréia no Brasil ocorreu em 2008, durante o Festival Música Nova. É inspirada, poética e estruturalmente, no texto “Bing”, de Samuel Beckett.