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Uma lembrança congelada de um passado que ainda se move.
Um paradoxo que o “tempo sideral da memória”, como disse tão bem Beckett em sua obra “Bing”, perpetua. Nela, uma narrativa sutil, repetitiva e circular provoca a torrente interna de um momento efêmero, rápido, intenso, e, no entanto, já extremamente pálido, num cinza esmaecido, perdido nas lembranças de outrora, quase branco sobre branco.
Um trompe l’œil que, parecendo não ir a lugar algum, nos conduz a territórios novos, desconhecidos, que, ao final, não poderão jamais reencontrar seus caminhos originais. Tudo muda na mobilidade da repetição.
Traces Fouillis gris pâle presque blanc sur blanc foi escrita entre janeiro e março de 2007 para o concerto do Ensemble Alternance, ocorrido em 07/04/2007, data de sua estréia, no Anfiteatro Richelieu - La Sorbonne, em Paris. Foi mais uma vez executada pelo mesmo grupo em fevereiro de 2008, na Sala Cortot, também em Paris. Sua estréia no Brasil ocorreu em 2008, durante o Festival Música Nova. É inspirada, poética e estruturalmente, no texto “Bing”, de Samuel Beckett.