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Certa vez, meu amigo e poeta Dirceu Villa me enviou seu livro Icterofagia, um livro de poemas escritos entre 2002 e 2006. Bem ao início da leitura me deparei com o poema “memória, mãe das musas”. Li e reli este poema inúmeras vezes até perceber que nele estava contida uma música oculta nas palavras, melhor dizendo, que havia uma música em sua forma ou que sua forma era muito musical. Resolvi então traduzir o poema em sons: cada verso, cada palavra, o jogo semântico, as vírgulas ocultas... cada silêncio nos pulsos internos da leitura. Desta necessidade, nasceu esta peça cuja forma musical é a mesma do poema de Dirceu, com seu jogo de signos e texturas, sendo estas representadas por todo o plano oculto nas palavras, porém presente em mim a cada leitura. Além de seus próprios instrumentos, os músicos tocam também pequenos instrumentos de percussão (pratos, triângulos e chocalhos), tudo isso numa disposição que favorece uma escuta acusticamente diversa e muito amalgamada pela percussão.